Habitação

Duas Casas em Monção

Um terreno na margem densamente arborizada do rio Minho, fronteira natural entre Portugal e Espanha, perto da vila de Monção. A encomenda para projetar duas casas, no mesmo terreno, para pai e filho. O filho, construtor de nomeada na região, para o qual me encontrava já a elaborar um projeto de um pequeno edifício de 4 apartamentos para habitação na zona urbana do Porto, estava então preparado para a minha proposta, que se seguiria, para a sua nova casa.


Assim, juntei as duas casas numa construção só, pareceu-me lógico.
Em síntese: Uma laje de betão (84 x 16m), com pré-esforço, gesto moderno para albergar duas casas (em vidro, ferro pintado a forja e madeira de pinho), apoiada em novos mas tradicionais muros de granito. Gesto forte na procura do equilíbrio com a paisagem. No centro, um círculo, uma elipse, local para nascer uma árvore, uma escultura, ou apenas o espaço que ficou e conquista o lugar.

 

A procura constante de conciliação entre as modernas tecnologias da construção com a construção mais tradicional desta região permite a dialética entre a horizontalidade dos grandes vãos permitida pelo uso engenhoso do pré-esforço, levando o betão armado aos seus limites, e a rudeza dos grandes blocos de granito que, justapostos, desenham grandes muros na paisagem.


A forma e o sentido tectónico do edifício conciliaram-se para estabelecer uma ligação com o local, transformando-o em parte integrante da paisagem, antevendo a reação futura dos materiais como uma dimensão ativa do projeto.


O edifício tem uma base, enterrada no terreno, a garagem e uma piscina interior, projetando-se num esguio volume de betão armado, também em pré-esforço, sobre a encosta, subvertendo a camuflagem adotada. No piso superior, um volume metálico totalmente em vidro com espelhamento suficiente para diluir a sua massa na paisagem. 

 

Tudo é ainda desenhado pelo arquiteto, desde os caixilhos em ferro até ao mobiliário em madeira de pinho e ébano, lembrando o encaixe dos retábulos das igrejas de granito, só que aqui em betão armado.


Ao nível energético, adotou-se a geotermia como forma de garantir o equilíbrio energético do edifício no seu conjunto, conseguido pela integração de todo um sistema de tubagens enterradas nas grandes superfícies de terreno envolvente.

Cliente / 

Privado

Autor / 

João Paulo Loureiro

Colaboradores / 

Ana Luísa Cunha, Eva Vieira, Inês Caetano, Susana David Oliveira

Inicio - Conclusão / 

2008 - 2013

 

Localização / 

Monção, Portugal

 

Fotografia / 

© José Campos

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